Ninguém me verá chorar

A novela Ninguém me verá chorar, que é ficção pura, se alimenta de um contexto histórico. Se abre em 1885, ano do nascimento de um de seus protagonistas e se encerra em torno de 1932, dois anos antes do governo de Lázaro Cárdenas. O pano de fundo da história é o governo autoritário de Porfírio Diaz, o desenvolvimento industrial e agrícola do país, contrastado com uma rigidez da estrutura social que em sua defasagem produz as primeiras greves e brigas de rua. Estamos num México convulsionado por revoluções, no qual o velho e o novo lutam por seu espaço, e no qual a injustiça brilha sobre quem quer mudar o mundo para melhor. Este entorno é o cenário no qual os personagens desgraçados, perfeitamente perfilados pela autora, vêem evaporar seus sonhos, um atrás do outro, numa tragédia íntima que molda a realidade cultural, não somente do México, mas de grande parte da América Latina. Publicada pela Tusquets Editores México en 1999, a obra foi condecorada com os prêmios Nacional de Novela, IMPAC-CONARTE-ITESM 2000 e Sor Juana Inés de la Cruz 2001.